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Quando as diretoras e irmãs Lana e Lilly Wachowski se assumiram publicamente como mulheres trans, fãs e especialistas passaram a especular sobre os possíveis temas relacionados à identidade de gênero inseridos na trilogia "Matrix" (1999-2003), uma de suas contribuições cinematográficas mais amplamente celebradas.

Aspectos básicos da trama sustentam o argumento de que o longa seria uma alegoria sobre a transexualidade: personagem interpretado por Keanu Reeves, Neo rejeita o nome imposto a ele; papel da atriz Belinda McClory, Switch tem gêneros diferentes dentro e fora da matrix. Algumas análises também traçam um paralelo entre a pílula vermelha (usada pelo herói na ficção) e as pílulas de estrogênio consumidas por mulheres trans.

As diretoras jamais comentaram o assunto. Até agora. Num vídeo em comemoração ao 21º aniversário do lançamento do primeiro longa, Lily confirmou a análise e revelou que a intenção inicial do projeto era mesmo compor uma história sobre pessoas trans.

"Mas o mundo não estava preparado para isso. O mundo corporativo não estava pronto", ponderou Lily. "Fico feliz que as pessoas tenham descoberto essa nossa intenção".

"Eu amo como esses filmes são significativos para pessoas trans, elas sempre me dizem: 'Esses filmes salvaram a minha vida'. Quando você fala sobre transformação, principalmente em ficção científica, trata-se de imaginação e de transformar o impossível em possível. Há um diálogo muito grande com o público", celebrou a diretora.

Durante a live, a diretora comentou sobre o processo de redesignação sexual pelo qual passou — e como foi lidar com isso publicamente.

Atualmente, Lana está trabalhando nas filmagens de "Matrix 4",  que deve ser lançado em abril de 2022. O filme marcará o retorno de Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss à franquia pela primeira vez desde 2003, quando foi lançado "Matrix Revolution".

"Nós existíamos em um espaço no qual palavras não faziam sentido, então sempre vivemos em um mundo de imaginação. Por isso nos aproximamos da ficção científica e da fantasia. Sempre gostamos de criar os nossos mundos. Isso também nos libertou como cineastas", disse a diretora.

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